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A era de ouro dos podcasts

Lavar louça, fazer supermercado e outras atividades corriqueiras estão mais divertidas. Pelo menos é o que pensam os adeptos dos podcasts, que ouvem conteúdos diversificados enquanto realizam as tarefas do dia-a-dia.

Os apresentadores do Foro de Teresina, podcast de política e atualidades da revista Piauí, perguntaram aos seus ouvintes onde e como eles costumam ouvir o programa. Ouvir o programa ao realizar tarefas domésticas, como lavar louça e passar roupa, e atividades repetitivas, como academia, deslocamento ou trabalhos operacionais, estão entre as opções preferidas.

O Brasil está vivendo um boom de podcasts. Ainda que o formato não seja novo, ele demorou a se popularizar por aqui. Dá para entender por quê.

A onda de podcasts ganhou força nos Estados Unidos juntamente com os iPods e os iPhones. Por aqui, poucas pessoas possuíam esses dispositivos, considerados artigos de luxo, e a produção de conteúdo em português também era baixa.

Porém, com o surgimento de smartphones mais baratos, a melhoria na qualidade da conexão móvel e o crescimento de plataformas de streaming, como Spotify e Deezer, o cenário se transformou.

55% dos internautas brasileiros escutam pelo menos um podcast por mês, de acordo com uma pesquisa feita pelo Opinion Box em novembro deste ano.

De acordo com Javier Piñol, diretor do Spotify Studios na América Latina, a empresa estima que nos próximos anos, 20% de todo o consumo de áudio na plataforma será conteúdo não musical.

Não é coincidência que, em fevereiro deste ano, a empresa desembolsou em torno de 230 milhões de dólares na compra da Gimlet, empresa especializada em podcasts. Este ano, a empresa também realizou o primeiro Spotify for Podcasters Summit Brasil, com o intuito de discutir o futuro do formato no país.

O podcast tem tudo a ver com um movimento crescente pelo formato de áudio de uma forma geral. Assim como algumas pessoas preferem enviar e receber mensagens em áudio do que em texto, há quem prefira ouvir conteúdo do que ler um texto.”

Pierre Abou Roujaili, Business Development Executive
do Opinion Box

Muitos podcasts repetem o formato de mesas redondas, em que diferentes pessoas conversam sobre determinado tema. Ouvir as pessoas conversando, com diferentes pontos de vista, nos faz sentir parte da conversa e propõe reflexões que o texto nem sempre consegue atingir. É o caso de programas populares, como o Mamilos, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de ouvintes únicos por programa, o Braincast, que fala sobre inovação, tecnologia e criatividade, e outros.

Além disso, diferentemente do vídeo, o formato de áudio permite que você ouça os programas enquanto realiza outras tarefas, então vai diretamente ao encontro com a nossa necessidade em ser multitarefas. Por isso, programas de jornalismo, como o Café da Manhã, da Folha de S. Paulo, e o Durma com Essa, do Nexo Jornal, que resumem as principais notícias do dia em poucos minutos, fazem muito sucesso.

Por fim, o formato de áudio, com edições de som bem trabalhadas, nos permite brincar com a nossa imaginação. Por isso, alguns podcasts exploram o formato storytelling, ou seja, contam histórias reais ou de ficção através do áudio, como um documentário ou uma narrativa sonora. O maior exemplo brasileiro deste formato é o Projeto Humanos, que conta histórias reais sobre pessoas reais, e vai virar série de televisão.

Entender a importância do mercado de podcasts é interessante tanto para pensar em novos formatos de conteúdo, criando o próprio podcast da sua marca ou empresa, ou novos formatos de mídia e patrocínio. E, claro, para entender o comportamento do consumidor.